Olhos de Condor I / Por: Bezerra Reyes
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Quero que
descubra o que minha esposa faz às cinco e meia da tarde. - Pediu o velho
gordo.
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Não seria
mais fácil perguntar à própria?
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Eu sempre
pergunto, mas ela sempre dá a mesma resposta. - Respondeu o velho.
-
E qual a
resposta que ela dá? - Perguntou o suposto detetive
-
Eu vou no
café salence com as minhas amigas de sempre; É sempre a resposta dela, toda vez, quase sempre no mesmo horário,
porque tem dias que ela vai umas seis da tarde. - Respondeu o gordo.
-
Já foi até
o café salence para saber se ela realmente estava lá? - O detetive
questionou.
-
Claro que
fui, na terceira vez eu tive que ir, perdoe pela minha desconfiança na minha
mulher, mas eu sou muito confuso, qualquer coisa fora do normal, que saia dos
meus planos metódicos, me deixam louco. - Respondeu o velho gordo.
-
É, eu sei
como é, somos dois metódicos, Sr. Giuseppe.
O ambiente era agonizante para qualquer um. A
segunda sala do departamento privado do Sr. Tobias ficava no vigésimo terceiro
andar do prédio Gregoryah Palace. A sala não possuía ventilação, Tobias era um
homem chato e incomum, não abria às janelas nem se alguém o pedisse com
educação. Não tinha uma mulher para chamar de meu amor, morava sozinho
na terceira sala do seu departamento privado, que servia também de banheiro
para os clientes. A segunda sala era composta por uma mesa rústica que Edgar usurpou da casa de seus pais assim
que eles foram assassinados; não foi nada surpreendente para Tobias, já que seu
pai era metido com pequenos grupos mafiosos da região onda morava, era de se
esperar sua morte a qualquer momento, juntamente com sua madrasta, que teve que
assumir o papel de mãe, já que a do garoto (Tobias) apenas o pariu e foi embora
com um velhote, dono de uma fábrica de frangos fritos genéricos. Além da mesa,
sua máquina datilográfica e sua estante com livros que ele nunca sequer leu,
com uma partição dos dois lados, ambas com garrafas cheias dos piores maltes
que alguém poderia experimentar. Sua poltrona já com pequenos furos que
deixavam o algodão interno exposto, poltrona de couro; mais um que saiu
da casa de seus pais. E por último, as janelas com persianas, o seu maior passatempo era ficar puxando a corda da persiana, abrindo, fechando, abrindo,
fechado, abrindo e fechando obsessivamente, até que alguém o interrompesse,
algo que Tobias odiava era a interrupção, especialmente se ele estivesse
desligado do mundo, mexendo nas persianas, as grandes persianas. O único
detetive do país que não usava máquina fotográfica, isso por ser também, o
único detetive que não deixou a falta de grana acabar com seus objetivos. E
para deixar exposto mais ainda o seu amor pelas persianas e janelas, as quais
ele não tocava se não fosse caso de urgência grave; Tobias sempre falava aos
seus clientes que o perguntavam sobre a câmera, ele sempre respondia e
acrescentava; Com o dinheiro das investigações, quem sabe eu possa conseguir
uma. E a primeira foto que irei tirar, para comemorar o dia, é das minhas
lindas janelas com essas persianas, quem precisa daqueles quadros caros do Van
Gogh, quando se tem três janelas embelezando o lugar?
FIM da primeira parte.
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