Olhos de Condor II / Por: Bezerra Reyes.
Tudo estava pronto, Edgar já
tinha anotado o endereço do café salence
e a descrição da mulher de Giuseppe, segundo o próprio; quase uma alteza, com
olhar penetrante, longos cabelos loiros, lábios enormes e sempre com um casaco
de pele de gambá, presente do seu ex-marido. Na maioria das vezes com um
cigarro na boca e com o queixo apoiado em cima das duas mãos enquanto estava
sentada sobre uma mesa.
- Pelo visto ela parece ser
durona, não? – Perguntou Edgar
- É, principalmente com
seus capachos que ela chama de
maridos.
- E então, por que ainda tem um
relacionamento com ela? Já que lhe trata tão mal e ainda parece ser alguém que
não fica quieta em um canto só, se é que o senhor me entende.
- Creio que seja amor, não sei
muito bem; é algo que ainda não sei explicar.
Edgar então ofereceu mais um pouco daquele
malte horrível para Giuseppe, que recusou.
- Não, agradeço. Mas essa dai parece ser ruim, hã? Isso é malte? –
Perguntou Giuseppe.
- Deve ser, é um dos baratos
que eu compro nas feiras da sexta, nas barraquinhas de bebidas caseiras por
aqui perto.
- Certo. Com sua licença...?
Giuseppe então levantou-se, cumprimentou Edgar
e disse;
- Ouça, eu quero fotos dela, registros
nítidos, sabe?
- Não tenho uma câmera. –
Respondeu Edgar
- Como assim? Que porcaria é
essa? Como um investigador trabalha sem uma câmera?.
- Fique tranquilo, porque isso
é o de menos, okay?
Giuseppe mostrou uma leve expressão de negação
e dúvida, pensou um pouco e confiou em Edgar, que desta vez foi ele quem
estendeu sua mão.
- Ótimo, depois de amanhã pode
vir até aqui, já estará tudo empacotado. –
Disse Edgar.
- Tudo bem, até logo! – Despediu-se
Giuseppe.
Giuseppe então foi até a porta e estranhou a
falta de cordialidade de Edgar, que não tinha ido até lá abrir a porta, até por
que, ele era o convidado daquela espelunca. Edgar fez apenas um sinal para ele
rodar a maçaneta e sorriu, Giuseppe o faz, mas antes do velho fechar a porta,
Edgar chamou sua atenção;
- Ei, ei; vai com calma, meu
amigo. Cadê o pagamento? – Perguntou Edgar.
- Ah, eu já tinha esquecido.
Olha... Eu posso entregá-lo depois de amanhã, quando eu vier buscar o que
conseguiu?
- Não, eu tenho que receber antes
do trabalho, caso o contrário eu não faço o meu papel direito, compreendeu? –
Disse Edgar.
Giuseppe ficou furioso e disse;
- Está certo, está certo. Amanhã
pela manhã eu venho até aqui e entrego o pacote com o dinheiro, pode ser?
- É... Pode sim, mas venha o mais
cedo possível. – Respondeu Edgar.
Os dois se despediram pela última vez, o
detetive voltou foi até a janela e pensou sobre o caso da mulher, parecia que
ele desconfiava de algo após saber das características da mulher, pensou mais
alto, enquanto mexia nas persianas e olhava para o tráfego de carros na rua,
até a saída de Giuseppe do prédio e a sua entrada na limousine negra.
FIM da segunda parte.
Esse Edgar... é cada detetive excêntrico que me aparece.
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