quinta-feira, 14 de maio de 2015

Olhos de Condor - Segundo Capítulo

Olhos de Condor II / Por: Bezerra Reyes.



 Tudo estava pronto, Edgar já tinha anotado o endereço do café salence e a descrição da mulher de Giuseppe, segundo o próprio; quase uma alteza, com olhar penetrante, longos cabelos loiros, lábios enormes e sempre com um casaco de pele de gambá, presente do seu ex-marido. Na maioria das vezes com um cigarro na boca e com o queixo apoiado em cima das duas mãos enquanto estava sentada sobre uma mesa.

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- Pelo visto ela parece ser durona, não? – Perguntou Edgar
- É, principalmente com seus capachos que ela chama de maridos.
- E então, por que ainda tem um relacionamento com ela? Já que lhe trata tão mal e ainda parece ser alguém que não fica quieta em um canto só, se é que o senhor me entende.
- Creio que seja amor, não sei muito bem; é algo que ainda não sei explicar.

 Edgar então ofereceu mais um pouco daquele malte horrível para Giuseppe, que recusou.
- Não, agradeço. Mas essa dai parece ser ruim, hã? Isso é malte? – Perguntou Giuseppe.
- Deve ser, é um dos baratos que eu compro nas feiras da sexta, nas barraquinhas de bebidas caseiras por aqui perto.
- Certo. Com sua licença...? 

 Giuseppe então levantou-se, cumprimentou Edgar e disse;

- Ouça, eu quero fotos dela, registros nítidos, sabe?
- Não tenho uma câmera. – Respondeu Edgar
- Como assim? Que porcaria é essa? Como um investigador trabalha sem uma câmera?.
- Fique tranquilo, porque isso é o de menos, okay?

 Giuseppe mostrou uma leve expressão de negação e dúvida, pensou um pouco e confiou em Edgar, que desta vez foi ele quem estendeu sua mão. 

- Ótimo, depois de amanhã pode vir até aqui, já estará tudo empacotado. – Disse Edgar.
- Tudo bem, até logo! – Despediu-se Giuseppe.

 Giuseppe então foi até a porta e estranhou a falta de cordialidade de Edgar, que não tinha ido até lá abrir a porta, até por que, ele era o convidado daquela espelunca. Edgar fez apenas um sinal para ele rodar a maçaneta e sorriu, Giuseppe o faz, mas antes do velho fechar a porta, Edgar chamou sua atenção;

- Ei, ei; vai com calma, meu amigo. Cadê o pagamento? – Perguntou Edgar.
- Ah, eu já tinha esquecido. Olha... Eu posso entregá-lo depois de amanhã, quando eu vier buscar o que conseguiu?
- Não, eu tenho que receber antes do trabalho, caso o contrário eu não faço o meu papel direito, compreendeu? – Disse Edgar.

 Giuseppe ficou furioso e disse;

- Está certo, está certo. Amanhã pela manhã eu venho até aqui e entrego o pacote com o dinheiro, pode ser?
- É... Pode sim, mas venha o mais cedo possível. – Respondeu Edgar.


 Os dois se despediram pela última vez, o detetive voltou foi até a janela e pensou sobre o caso da mulher, parecia que ele desconfiava de algo após saber das características da mulher, pensou mais alto, enquanto mexia nas persianas e olhava para o tráfego de carros na rua, até a saída de Giuseppe do prédio e a sua entrada na limousine negra.

FIM da segunda parte.

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